Linguiça com soja?

Semana passada estava conversando ao telefone com um dos mais importantes estudiosos contemporâneos do Direito Agrário, o Prof. Albenir Querubini, e ao comentarmos sobre a realização de um assado (cada um na sua casa nesses tempos pandêmicos), referi sobre a dificuldade de encontrarmos um linguiça/salsichão de qualidade, visto que para além da adição de conservantes, nitritos e nitratos e corantes, tem-se percebido ultimamente adição de soja em algumas marcas.

Esses elementos adicionados ao recheio dos embutidos são os chamados aditivos alimentares e, via de regra, são substâncias que previnem o perecimento do alimento e servem para conferir aroma, cor e sabor; modificar ou manter o estado físico e impedir alterações. Os mais utilizados na indústria da carne são classificados de acordo com sua função: conservantes, antioxidantes, estabilizantes, corantes, condimentos e aromatizantes.

Em 2018, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um estudo em que aponta que o consumo de carne processada aumenta o risco de câncer. De acordo com o estudo, mais do que os componentes da carne em si, são os corantes e aditivos os principais responsáveis pelas conclusões da OMS.

Esse alerta não tem o sentido de demonizar o uso dos aditivos, pois os mesmos são necessários e utilizados há longo tempo em nossa sociedade, em especial o sal e os temperos. No entanto, para o consumidor leigo – como eu – não fica claro a qualidade dos demais aditivos e eventuais efeitos adversos à saúde que podem causar, além das informações constarem em letras miúdas nas embalagens dificultando a leitura, como se verifica nos produtos dos quais reproduzo duas imagens, a título de exemplo:

Na primeira imagem, o que se percebe é que para além da presença de proteína hidrolisada de soja, ainda há a adição de gordura vegetal hidrolisada. Já na segunda imagem, consta a informação da proteína de soja na sua quantidade máxima permitida (IN n. 33/2017 do MAPA). Embora a legislação especifique limites para adição desses produtos, a sua detecção e quantificação se constituem um problema para fiscalização, diante da escassez de metodologias adequadas para determinação desses ingredientes.

Importante referir que há no mercado bons produtos, como as linguiças e salsichões sem conservantes químicos, ou produtos feitos de forma artesanal e semi-industrial, produzidos em vários municípios que já visitei, muitos com o Sistema de Inspeção Municipal – SIM, que primam por um produto mais natural, mais saboroso e, no mais das vezes, mais saudável. Assim, cumpre estarmos atentos às informações nos rótulos dos produtos e consumirmos de forma mais consciente.

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